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Assistindo Holy Hell

  • Foto do escritor: Marcos Vinícius
    Marcos Vinícius
  • 23 de fev. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de mar. de 2023

Santo Inferno: documentário mostra 22 anos de um culto estranhíssimo

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(imagem da internet)

Para quem assistiu o bizarro documentário produzido pela Netflix, Tiger King: Murder, Mayhem and Madness (2020), esse aqui será um deleite extremamente esquisito de se incomodar.


Produzido por Will Allen, e lançado em 2016, a história contada é sobre um grupo, seita... Um culto extremamente estranho, liderado por uma cara mais estranho ainda, chamado, normalmente, de Michael pelos seguidores dele. Com imagens feitas ao longo de 22 anos — período que Will foi membro dessa maluquice —, o documentário mostra a dinâmica que existia dentro desse ecossistema zoado. Desde as regras impostas e obrigadas a serem seguidas, quanto ao estado psicológico que eram levados os membros dela, e o que acontecia (e acontece) com os que decidiam sair.


A história segue o mesmo padrão de sempre — para quem acompanha essa insanidade toda, é claro.


Um sujeito, além do creepy, que vem sabe lá Deus de onde, consegue juntar uma galera para ouvir os seus sermões “sagrados”, que carregam a verdade absoluta e a cura para todo o mal do mundo, mas que ninguém reconhece, enxerga — a não ser ele, obviamente. Mas que, no final, não é porcaria nenhuma.

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O líder "bizonho" da seita (imagem da internet)

O doc. expõe bem como esses líderes são indivíduos dotados de uma capacidade persuasiva que beira o irreal. Por meio de discursos tão incisivos, com premissas acolhedoras e pacifistas, conseguem penetrar na mente de pessoas idiotas, mas também, muitas das vezes, com problemas (em qualquer âmbito), que anseiam desesperadamente por alguma ajuda, independentemente de que lugar ela venha (é claro que há os que vão de bom-grado, mas esses são apenas imbecis mesmo).


Para enfeitar o que escrevo, e para quem tiver estômago, indico o sinistro documentário JonestownVida e Morte no Templo do Povo, que conta a história do maior ato de suicídio coletivo no mundo. É de um teor maligno e doentio que ultrapassa qualquer resquício de humanidade que um psicopata possa ter. O que o líder da seita mostrada no documentário, Jim Jones, fez é surreal (para quem quiser saber mais, após assistir a esse documentário, procurem por algo no youtube chamado Jim JonesDeath Tape 1978. Não vou deixar link).


E essa busca pela salvação do mundo me é sempre suspeita. Discursos humanistas, empáticos, tendem a enganar, pois ninguém ama tudo e todos, afinal ninguém se importa com tudo e com todos. Isso não existe.


Will, por exemplo, após ser expulso de casa, aos 15 anos, quando a mãe descobriu dele que ele era gay, juntou-se ao Buddhafield (nome do grupo), após a irmã dele convidá-lo. E, sem perceber, ele acabaria de tomar a pior decisão da vida.

Já vou dar spoilers: essa seita ainda existe (pelo menos em 2016), e continua a recrutar burros, desavisados e desesperados para o abismo do líder grotesco deles.


Além do incomum


Esteticamente, o documentário é muito atraente. Com a linguagem tradicional, com a intercalação de cenas caseiras, narração em off e depoimentos posteriores, a construção da história é feita gradativamente, apresentando esse universo inimaginável. Mas longe de uma crueza estilo Glauber Rocha, Holy Hell é uma boa obra fílmica que, querendo ou não, apresenta uma história chamativa e inusitada, capaz de prender a atenção pela incredulidade exposta e distanciamento do real (apesar de ser real) do que é contado.


Para quem se interessa por documentários que trazem temas estranhos, falarei sobre alguns que assisti, futuramente. Mas não dou previsão para isso, apenas fica o aviso.


Holy Hell demonstra bem o quão longe um ser humano pode ir. Tanto os que possuem um ego maior do que a própria existência da vida, e que querem tudo para si, até mesmo o “eu” do outro; os idiotas estúpidos, que fazem merda é foda-se; ou a dos que estão presos em cavernas escuras sem saídas, em que a loucura é a única voz a ser ouvida, apesar de acreditarem caminhar pela luz.


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