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Ouvindo Natalie Imbruglia – Left of the Middle (1997)

  • Foto do escritor: Marcos Vinícius
    Marcos Vinícius
  • 20 de mai. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de mar. de 2023

Clássico da cantora ainda ressoa agradavelmente pelo tempo

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(imagem da internet)

Essa singela australiana, certamente, foi a primeira cantora pop por quem me interessei. Eu já ouvia j-pop na época, mas música japonesa é diferente para mim, por isso não conta.


Natalie foi especial, pois era o oposto das demais artistas femininas — que eu conhecia, não ouvia — do universo pop. Longe de uma sonoridade pop extremo, o som da australiana era o básico popzinho rockzinho. Mas eu, no auge da ignorância adolescente, achava essa vertente musical uma merda, por isso não dava atenção a nenhuma artista do meio. Contudo, isso mudaria ao ter contato com “Smoke”. Pois é, não foi “Torn” quem me pegou.


Apesar de “Smoke” possuir uma estrutura pop, ainda soava muito diferente de tudo o que eu involuntariamente tinha escutado. A voz doce e jovial da Natalie foi o principal por me atrair, mas a música em si é muito boa também. É melancólica e o acompanhamento do piano traz uma essência solitária a ela; e o clipe, apesar de simples, é belíssimo (não tem como não ser, pois fica a Natalie na tela o vídeo inteiro).

Com o sinal de interesse ligado, logo, fui atrás do álbum. Lançado em 1997, Left of the Middle foi a estreia da cantora. No geral, as músicas são semelhantes. Há a tal roupagem pop/rock que comentei anteriormente e, honestamente, o álbum é mediano, sem muita diferença para o que eu fui ver depois desse universo de cantoras pop/rock. Mas há musicas excelentes no álbum, tipo: “Big Mistake”, “Smoke”, “Pigeons and Crumbs”, “Wishing I Was There”, “City” e a famosa “Torn”, que a alçou até as estrelas.


A sonoridade do álbum é relativamente agitada, mas com certa suavidade e macies, apesar de contar com a energia das guitarras e das batidas eletrônicas em muitos momentos. Mas o aspecto comentado na primeira linha dessa estrofe é graças à voz melódica da Natalie, que cria uma aura aerada sobre os demais instrumentos, o que faz surgir um abraçar e derramar da doçura dela em cima de todo o resto. O que é bom, afinal é ela quem mais importa mesmo.


Mas não gostei muito das eletrônicas, tipo: “Don’t You Think” e “Impressed”, pois me soaram genéricas e um desperdício, além de incoerentes diante das outras. Mas o bom é que, em certas versões, há mais músicas no álbum, o que compensa esse gosto estranho deixado pelas duas.


As mais fortes, e que me agradam mais, são as intimistas, ou mais calmas sem tanta energia, com um ritmo mais cadenciado. Além da já citada “Somke”, tem: “Leave Me Alone”, “Pigeons and Crumbs” e “Left of the Middle”, e é onde eu acho que a voz dela se encaixa melhor.


Um clássico que soube passar o bastão


Apesar do estrondoso sucesso que fez, Left of the Middle não é o meu álbum preferido dela — mas não é o que gosto menos. Longe disso. Mas quando comparo com os demais, fica bem evidente as minhas escolhas. E apesar de reconhecer o valor, penso que a sua força esteja com “Torn”. Aliás, essa música foi tão marcante, um fenômeno avassalador, que, praticamente, encobriu as demais.

A consequência do enorme sucesso feito com Left of the Middle/Torn foi assustar Natalie, o que a fez se afastar dos holofotes por um tempo. E, ainda bem, isso gerou o que seria o segundo álbum dela, o maravilhoso White Lilies Island (2001). Talvez se ela não tivesse ficado intimidada, White Lilies Island (falarei em um texto futuro, assim como os demais álbuns dela) nunca visse a luz. De qualquer maneira, os problemas que a fama causa podem ser bons.


O maior valor que vejo em Left of the Middle, e na Natalie Imbruglia, foi me apresentar diante de um mundo novo e, até então, ignorado com veemência. Claro que as artistas de um pop mais exacerbado influenciavam o meu comportamento (que já não é mais o mesmo também); e mesmo com algumas cantoras de j-pop já em minha playlist, elas ainda eram mantidas afastadas. Felizmente, isso mudou.


Agora, para quem estiver a fim de conhecê-la, Left of the Middle é uma boa pedida. Não é uma revolução na indústria da música, mas bom o bastante para agradar quem está à procura de música de qualidade.

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